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18 de dezembro, 2010

Ashura (parte 3) – O Martírio dos Justos nas Terras de Karbala


Rumo à cidade de Karbala para se encontrar com seu destino: o honrado martírio prescrito por Deus para preservar e manter vivos por todo o sempre os princípios da justiça e da verdade, os princípios divinos prescritos na religião.

Como vimos nos textos anteriores, Al Hussein (AS) se retira da cidade de Meca quando soube do plano de Yazid de assassiná-lo na cidade sagrada, e declara: “Saio de Meca por minha livre e espontânea vontade, sem descontentamento ou revolta, mas simplesmente para preservar a harmonia da nação islâmica e a pureza da cidade sagrada de Meca”.

Imam Al Hussein (AS) segue então rumo a cidade de Kufa, onde os habitantes haviam jurado lealdade ao Imam (AS) e lhe enviado cartas convidando-o a liderá-los num levante contra Yazid.

O exemplo de Muslim Ibn Aqil:
Al Hussein (AS) envia seu primo Muslem Ibn Aqil para avisar e preparar a população de Kufa da sua chegada. Muslem, quando chega à cidade, se depara com uma realidade adversa, pois as tropas de Yazid já haviam tomado conta da cidade e disseminado o terror com matanças e barbáries. Ibn Aqil tenta retornar ao Imam para avisá-lo de que não poderia prosseguir sua caminhada até Kufa. Porém é capturado pelo exército de Yazid, sendo assassinado brutalmente na frente da população. Muslem Ibn Aqil fora um companheiro fiel e quando se viu prestes a ser executado, pediu perdão a Deus por não ter cumprido a tarefa indicada por seu mestre Al Hussein e em seguida agradeceu a Deus por estar prestes a morrer pela causa nobre da justiça.

Contudo, a notícia da situação na cidade de Kufa chega até o Imam, o qual redireciona sua trajetória para a cidade de Karbala. O Imam sabia de seu destino, sabia que em Karbala ocorreria seu martírio e dos que estivessem junto a ele na batalha.
Depois de três dias de sede sob o deserto ardente, os fatos contados todos os anos no ritual da Ashura se tornam cada vez mais profundo e repletos de detalhes. Eis alguns dos inúmeros acontecimentos do décimo dia do mês de Muharram, o dia em que o sangue dos justos vence a espada da opressão.

Os companheiros sinceros e a lealdade consciente sob o livre arbítrio:
Na noite anterior ao seu martírio, Imam Al Hussein (AS) reúne seus companheiro e os deixa claro a natureza de sua revolução. Disse o Imam: “Não conheço melhores e mais sábios companheiros que os meus. Meus agradecimentos a todos. Os inimigos querem só a mim, a minha morte. Quem de vós quiser deixar a caminhada, podeis. Portanto, na calada da noite deixem este deserto, onde cada coisa é estranha para vós, ninguém irá julgá-los”.
Discursos neste sentido foram enfatizados pelo Imam durante toda a jornada para deixar claro que nesse levante ninguém deveria esperar nenhum benefício material e, sim, apenas a morte.

A resposta dos companheiros foi de reafirmar sua lealdade perante o Imam. O que nos ensina sobre a espiritualmente elevada que possuíam por se comprometerem com uma causa que não lhes traria benefício individual algum, mas sim um benefício espiritual, moral e social para toda a humanidade.

Outro líder possivelmente enfatizaria a obrigação religiosa. Mas o Imam lhes pediu que respondessem à obrigação religiosa com total liberdade. Isso significa o livre arbítrio. Se eles quisessem apoiar o que era justo, poderiam livremente permanecer e resistirem, mas com a plena consciência e sem nenhum impulso. Isso mostra que a natureza do levante do Imam não era explosiva, pelo contrário, era consciente e racional.

A Revolução Gloriosa do Imam (AS) foi totalmente aceita por ele próprio, por sua família e pelos companheiros.

Hur, o exemplo de arrependimento:
Um combatente do exército de Yazid chamado Hur, enxerga o tamanho do equívoco cometido por Yazid em relação a Al Hussein (AS). Al Hussein, o qual durante sua infância fora visto tantas vezes por Hur brincando sobre o colo do profeta Mohammad (SS), seu avô.

Hur faz a autocrítica deixando o exército de Yazid e indo ao encontro de Al Hussein (AS). Ao se deparar frente a frente com o Imam (AS), em tom de arrependimento lhe dirige a palavra: “Peço seu perdão ó Imam, e peço o perdão de sua irmã Senhora Zainab, pois me sinto culpado pelos eventos que ocorrerão aqui nas terras de Karbala”.

Imam Al Hussein (AS) responde: “ Hur, você é um homem livre! Neste mundo e no próximo.”.

Essa importante passagem nos mostra que todos nascem com uma luz dentro de si e essa luz é colocada por Deus antes de nascermos. Assim podemos resgatar essa luz em qualquer momento da vida, mesmo que ela esteja muito distante e ofuscada.

Qassim, o jovem de espírito elevado:

Um dos acontecimentos mais intrigantes foi quando seu sobrinho de 14 anos chamado Qassim insiste para conseguir a permissão de lutar. Deparado com a recusa do Imam (AS), Qassim não desiste do pedido e do desejo de lutar e de se juntar aos elevados. Diante da insistência e percebendo a consciência do pedido, o Imam aceita o voluntariado do sobrinho e o permite lutar. Neste momento, os dois se abraçam e o Imam chora. Um fato extraordinário no que diz respeito a alguém nessa idade com tamanha coragem e consciência.

Ali Akbar, sua bravura era o reflexo do pai:
Todos tiveram que insistir pela permissão de lutar, a única exceção foi o filho mais velho do Imam, Ali Akbar, que recebera instantaneamente a permissão. Ali Akbar era o reflexo de Al Hussein na bravura e na inteligência.

Ali Akbar sai em batalha. Atinge fatalmente alguns do exército inimigo e retorna a seu pai, e diz: “Pai, a sede e o calor e os ferimentos estão me sufocando”. Imam Al Hussein responde: “Meu filho, em alguns instantes estarei te dando a água do paraíso para que mates tua sede”.

Os ensinamentos são de convicção no caminho certo e na busca da verdade e da justiça e na certeza de que os justos terão sua brigada garantida no Paraíso.

Abal Fadel Abbas, o estandarte da bandeira do Islã:
Al Abbas, chamado também de Abul Fadel, é filho do Imam Ali, portanto irmão do Imam Al Hussein (AS). Ele é lembrado pela fidelidade ao Imam, pelo papel desempenhado na batalha de Karbala e pelo respeito que tinha aos Ahlul Bait. Conta-nos a história que quando Abbas nasceu, seus olhos estiveram fechados até que seu irmão Al Hussein retornasse de viagem e o carregasse no colo. Abbas se assemelhava ao pai nos combates e desde cedo mostrava a desenvoltura com a espada resplandecente na defesa do Islã. Os inimigos por diversas vezes questionavam: quem é o combatente que tanto se parece com Ali Ibn Abi Talib? Imam Ali (AS) certa vez respondeu: “ Esse é Abbas, a lua nascente da família Hashimita”.

Na batalha de Karbala, a sede de três dias sob o sol do deserto, pois o exército de Yazid havia interceptado a passagem de água, se tornava cada vez mais insuportável, principalmente para as crianças. Abbas ao vê-las com sede e reclamando de seus estômagos que começavam a queimar, fica impaciente e ansioso para lutar. Abbas solicita permissão ao Imam para lutar por água, porém a permissão não fora concedida. Al Hussein pediu a Abbas e alguns companheiros que cavassem em busca de água, tentativa sem sucesso.

Muitos hoje acreditam que por sua habilidade e por sua bravura, Al Abbas poderia ter enfrentado o exército de Yazid até o rio Eufrades, ocupando o rio para obter água ao acampamento. O Imam finalmente permitiu que Abbas tentasse desobstruir o bloqueio do inimigo ao rio em busca de água, porém não o permitiu guerrear. Abbas tinha essa missão para cumprir e pensava apenas nas crianças. Havia um apego muito grande entre ele e sua sobrinha Sukaina, filha de Al Hussein. Abbas não conseguia vê-la chorando sua sede. Abal Fadel Abbas se lança na batalha com o objetivo específico de chegar ao rio e retornar com água. Narrações contam que quando conseguiu heroicamente furar o bloqueio do exército e chegar às margens do Rio Eufrates, Abbas enche uma palma de água e a eleva até próximo a boca, quando se recorda do choro de sua sobrinha e deixa de beber a água, dizendo: “Por certo que não me satisfarei com essa água fresca até que minha sobrinha e as demais crianças matem sua sede, não foram os ensinamentos de minha religião”. Por esse fato Al Abbas é lembrado como símbolo puro do altruísmo.

Al Abbas enche o recipiente de água e se empenha em retornar ao acampamento para cumprir sua missão. O exército de Yazid tenta de todas as maneiras bloquear a passagem de volta de Abbas para que a água não chegasse. Armando-lhe uma arapuca, conseguem golpear Al Abbas por trás cortando-lhe um dos braços. Al Abbas continua sobre seu cavalo, mas mais adiante fora golpeado novamente de surpresa por outra armadilha, amputando-lhe o outro braço. Ainda assim conseguia carregar a água, sendo que havia amarrado o recipiente em seu cavalo. Abbas estava relativamente perto do acampamento, porém uma chuva de flechas é lançada contra Abbas e uma delas atinge o carregamento de água. Foi quando Abal Fadel Al Abbas perdeu a esperança. Outra flecha então acerta um de seus olhos e ele cai ao chão. Ao cair do cavalo Al Abbas grita: ó Hussein!

Quando Al Hussein escuta o exclamo ou sente o martírio próximo de seu irmão, corre em busca de Al Abbas. Avista-o caído e corre em sua direção. Fica de joelhos e coloca a cabeça de seu irmão Abbas em seus braços, e diz: “Al Abbas, meu irmão!”. Al Abbas responde: “Meu mestre Al Hussein!” e continua “… por certo que nunca te pedi nada ó Imam, e agora hei de te pedir três coisas. Antes de tudo, que me perdoe por não ter cumprido tuas ordens de trazer água. Depois, te peço ainda que não conte a Sukaina que me viu morrendo neste estado, ela não agüentaria saber. E por fim, peço que limpe meus olhos do sangue que se escorre, para que eu possa te ver, assim serás a primeira imagem que vi na vida e a última”. Imam Al Hussein concede seus pedidos e enquanto limpa seus olhos do sangue que escorria diz: “Abal Fadel Al Abbas, tenho também um último pedido a ti meu irmão. Tem sempre me chamado de Mestre ou Imam, e se referido a mim como tal, peço-te que ao menos uma vez me chame de irmão”. Em suas últimas palavras de vida, logo que consegue enxergar o Imam, Abal Fadel diz: “Al Hussein, meu mestre e meu irmão”.

Al Abbas fora designado para ser o protetor de Hussein e o estandarte da bandeira do Islã. Por sua coragem, habilidade e fidelidade era sempre a esperança de todos os presentes. Só agia com a permissão do Imam e era considerado exemplo por sua conduta.

Abdallah, o recém-nascido martirizado nos braços do pai:
Quando Al Hussein percebe que seu filho recém nascido está por morrer de sede, carrega-o em seus braços até próximo ao cerco do exército inimigo e exclama em voz alta: “Vocês querem me matar porque meu objetivo é proteger o Islã e a Justiça, mas vocês não são arrogantes a ponto de quererem matar uma criança de seis meses de idade …”. Enquanto continuava seu discurso, começava uma discussão entre os combatentes do exército inimigo, pois alguns se convenceram em entregar água ao recém-nascido e outros, como o comandante em chefe, não queriam permitir esse ato humanitário. Foi quando deliberadamente um dos soldados segurou uma flecha, preparou-a no arco e a disparou rumo a Abdallah, o recém nascido. A flecha ultrapassou a garganta da criança, chegando até o peito do Imam. O Imam abaixa sua cabeça e repete a passagem do Sagrado Alcorão “INNA LILLAH WA INNA ILAIHI RAJ´UN” que significa “de Deus viemos e a Ele é o nosso retorno”.

Al Hussein (AS) e sua irmã Zeinab (AS), exemplos de paciência e determinação baseadas na compaixão e fé:
Toda essa situação se fazia sobre um homem, Al Hussein, e sobre uma mulher, Zeinab (que a Paz de Deus esteja com ambos).
Qassim fora morto e também Abal Fadel Abbas e Ali Akbar e Abdallah e seus companheiros … todos!

Imam Al Hussein também se lança na batalha e tem um desempenho inacreditável aos olhos do inimigo, pois não acreditavam que, apesar da sede e da pressão sentimental pela perda dos entes queridos, teria condição e determinação para lutar. Fora martirizado para ficar para história e para servir de combustível e exemplo para as transformações no mundo inteiro e a toda humanidade.

Quando se fala de justiça, Imam Al Hussein é o maior exemplo. E quando se fala de paciência, em determinação e amor ao próximo, Al Hussein é também o maior exemplo a ser seguido.

Zeinab (AS), irmã de Al Hussein (AS), testemunhou todos os martírios e a história de Karbalá, porém se mostrou forte e firme frente o exército de Yazid, discursando eloquentemente qdo foi levada com as crianças e outras mulheres como prisioneiras. A história que se inicia neste momento, a Revolução de Zeinab, será contada na próxima matéria deste site – Ashura (parte 4) – a ser publicada em breve.

A influência no mundo:

Pessoas conhecidas e reconhecidas mundialmente estudaram sobre Al Hussein e registraram seus aprendizados a respeito do Imam (AS). Citamos alguns registros históricos que nos chamam a atenção:

“A melhor lição que aprendemos da tragédia de Karbala é que Hussein e seus companheiros foram firmes crentes em Deus. Eles demonstraram que um número superior não é levado em conta quando a questão é a verdade e a falsidade. A vitória de Hussein apesar de sua minoria (numérica) me admira”, escreveu Thomas Carlyle, historiador Escocês, cujos trabalhos foram de grande influência na Era Vitoriana, numa Europa transformada politicamente, preenchida com medos e esperanças durante a revolução. As motivações e argumentos de Carlyle inspiraram os eventos na França.

“Aprendemos de Al Hussein como alcançar a vitória na condição de oprimido” escreve o hindu Mahatma Ghandi, líder pacifista da resistência pela independência da Índia.

“Neste ano na Grã-Bretanha choveu sangue, e o leite e a manteiga se transformaram em sangue”, de uma crônica anglo-saxão escrita no ano do martírio de Karbala traduzida pelo historiador inglês-cristão Garmonsway G.N., professor em Londres na King University.

São evidencias da universalidade das idéias de Al Hussein, indicando que suas lições são para toda a humanidade, todos os povos, credos, nacionalidades e para todas as épocas e idades.
Que aprendamos através desse raro exemplo, que alcancemos a liberdade e preenchamos nosso espírito desses ideais justos e verdadeiros e que façamos de Al Hussein nosso caminho para o Islã e a luz para nossas vidas.

Que a Paz de Deus esteja contigo, ó Mestre dos Mártires no Paraíso!
Que a Paz de Deus esteja contigo, ó herdeiro de Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus e Mohammad!
Que a Paz de Deus esteja contigo, ó luz dos olhos das religiões!
Que a Paz de Deus esteja contigo, ó Aba Aabdillah Al Hussein!
Nosso mestre, nosso exemplo e nosso Imam!


“Não pensem naqueles que foram martirizados no caminho de Deus como mortos. Verdadeiramente, estão vivos, buscando sua sustentação na presença de Seu Senhor” (Sagrado Alcorão 3:169).

“Aqueles que querem ver tal pessoa que vive na Terra, mas sua dignidade é honrada por aqueles que estão no Paraíso, devem olhar para meu neto Al-Hussein” disse o profeta Mohammad (SS).

escrito por Adnan El Sayed

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11 de dezembro, 2010

Ashura (parte 2) – A situação política anterior a Al Hussein (AS) e o significado da palavra Imam


O Islã tem seu início há 14 séculos, com a revelação do Anjo Gabriel ao Profeta Mohammad (SS), quando lhe ensinou através das palavras e transmitiu-lhe por ordem de Deus seus deveres na nova condição de Profeta, Mensageiro e Imam. Começa então a revolução moral e social do profeta Mohammad (SS) no cumprimento da missão divina.

Ao final de sua vida, o profeta claramente nos deixa dois legados que nos orienta e nos guia: o registro definitivo da mensagem celestial – o Sagrado Alcorão; e os líderes designados para guiar a nação islâmica – os Imames. Através deste caminho se garantiria a convocação à humanidade e se preservaria a nação na propagação da mensagem.

Muitas pessoas podem não compreender a dimensão do significado da palavra Imam quando designada àqueles indicados por Mohammad (SS) para guiar a humanidade. Podemos, assim, resumir a liderança do imamato em três importantes características:
1 – o Imam é designado por Deus, ou seja, não é uma liderança escolhida pela comunidade ou pelas pessoas;
2 – o Imam possui a responsabilidade ideológica e política da comunidade, e isso quer dizer que deve ter a capacidade de guiar a nação de acordo com os pensamentos religiosos em todos os aspectos, tanto espiritual, de conduta e de critérios religiosos, quanto social, político, de administração pública, etc;
3 – só pode existir um Imam em cada período, ou seja, não existe a possibilidade de dois imames coexistirem enquanto Imam, apenas um guia.

A importância e a responsabilidade de um Imam se diferem da importância e da responsabilidade de um Profeta ou Mensageiro. Estes têm o dever maior de proteger e divulgar a mensagem aos humanos, enquanto o Imam possui a responsabilidade e o dever de liderar e conduzir a nação. Portanto uma tarefa mais árdua e importante.

Para que não cometamos equívocos a este respeito, é importante termos claro que o Profeta Mohammad (SS) fora designado por Deus para ser Mensageiro do Islã e o Imam da Nação Islâmica. Portanto, desempenhava a responsabilidade de mensageiro e protetor da Mensagem Divina, ao mesmo tempo em que desempenhava a responsabilidade de líder na condução e guia da Nação.

Como vimos na matéria “Eid Al Ghadir – O Anúncio da Liderança Completa a Profecia” (link da matéria: http://www.islamfoz.com.br/eid-al-ghadir-o-anuncio-da-lideranca-completa-a-profecia/ ), o profeta indicou Ali para ser o Imam após a sua morte. A postura positiva e ativa para o futuro da Mensagem na indicação da Liderança no Islã é racional dentro das condições de conduta e caráter do profeta.

Ali Ibn Abi Taleb foi o primeiro muçulmano e o primeiro a defender o Islã. O profeta ensinou-lhe pessoalmente muitos conceitos da convocação e sua realidade, instruindo-o sobre os diversos temas doutrinários, filosóficos e culturais do Islã. Durante muitas horas do dia se retiravam para que o profeta o alertasse sobre as idéias e sentidos da Mensagem, sobre os problemas do caminho e sobre a forma de atuar junto à comunidade. Foi o mais próximo do profeta que qualquer outro ser humano, em todos os aspectos.

De fato, o conjunto das narrativas do profeta, os “ahadis”, garante a autenticidade do fato, nos esclarecendo que o profeta realmente preparou e educou Ali ao nível necessário para a autoridade ideológica e política, confiando-lhe o futuro da convocação islâmica e o futuro da liderança da comunidade depois de sua morte.

Depois da morte de Ali, seu filho Hassan se torna Imam. Imam Hassan (AS) teve seu nome escolhido pelo próprio Profeta Mohammad (SS) por inspiração de Deus Altíssimo, sendo o primeiro a ter esse nome na história da humanidade.
Imam Hassan viveu ao lado de seu avô, Mohammad (SS), e à sombra de seus pais, Ali e Fátima (AS), adquirindo deles a mais elevada educação e fazendo com que fosse notório seu conhecimento, fé e caráter.

Disse o Profeta: “Tu, ó Hassan, te assemelhas a mim e a meu temperamento.”.
Com a morte de Ali, Al Hassan passar a ter o direito ao Califado de seu pai. O termo “Califa” significa governante, um termo terreno e humano, não necessariamente com implicações religiosas, mas sim estritamente política, o que difere em muito do termo “Imam”.

Apesar do direito e da aceitação da população ao Califado de Al Hassan, havia um governante da Síria chamado Moawyia, que começa a maquinar formas de lograr e burlar a fé das pessoas, utilizando o terror quando necessário para solidificar seu governo, perseguindo os partidários e simpatizantes de Imam Ali (AS), afim de se consolidar como governante geral, ou Califa.
Ele insultava declaradamente o Mensageiro de Deus, ordenando inclusive que o Imam Ali fosse injuriado durante as oratórias nos púlpitos. Passou ainda a torturar todos aqueles que apoiavam as idéias de Imam Ali, tomando-lhes os bens e boicotando seus negócios, quando não os mandava matar.

Para acalmar a situação e evitar maiores tragédias humanas, o Imam Al Hassan (AS) se viu na obrigação de firmar um acordo com Moawiya, impondo as seguintes condições:
1 – Que Moawiya procedesse segundo o Alcorão e os preceitos do profeta Mohammad (SS);
2 – Que cessassem as ofensas e injúrias contra Imam Ali (AS), principalmente durante as oratórias nos púlpitos;
3 – Que a segurança do povo fosse respeitada (principalmente dos partidários e seguidores de Ali, que eram os mais perseguidos por Moawiya);
4 – Que ninguém fosse nomeado Califa como sucessor de Moawyia, a não ser o Imam Hassan, e caso estivesse morto, seu irmão Al-Hussein.

Moawyia continuou na tentativa de assassinato do Imam Al Hassan, e tentava corromper pessoas próximas ao Imam Hassan, oferecendo-lhes alta quantidade de ouro e promendo-lhes altos cargos dentro de seu governo. Até que uma de suas tentativas fora alcançada e conseguira assassinar o Imam por envenenamento.
Al Hussein, seu irmão, se tornava agora o Imam da nação. Imam Al Hussein (AS) almeja cumprir o acordo feito por seu irmão e se apóia sempre na virtude da paciência, característica fortemente marcante dos Ahlul Bait.

Quando Moawyia morre, se deflagra o esperado, teria nomeado seu filho Yazid para o Califado, não respeitando o acordo que dava direito ao Imam Al Hussein. Yazid, como podemos observar na matéria “Ashura (parte 1) – Quando o Sangue dos Justos Vence a Espada da Opressão” (link da matéria: http://www.islamfoz.com.br/ashura-i-quando-o-sangue-dos-justos-vence-espada-da-opressao/ ), tinha as características contrárias a do Imam. Era devasso, de práticas mundanas, saqueava a riqueza do povo, e utilizava-se da violência e da opressão para alcançar seus objetivos pessoais. Porém o principal motivo e causa do levante de Al Hussein era que Yazid se colocava como representantes dos muçulmanos e do Islã, interferindo na conduta religiosa prescrita por Deus e ensinada por Mohammad (SS) e tratando as pessoas de maneira injusta.

Essa era a conjuntura política e a situação existente no período anterior a jornada do Imam Hussein. Os acontecimentos que se seguem a partir daí se traduz na Ashura, uma história sem equivalentes em qualquer lugar ou qualquer época.

E é por essa história que continuamos aqui em busca da realização do ideal de liberdade e de justiça ensinada pelo Imam.

A história da Ashura será contada nas próximas matérias publicadas neste mesmo site, como continuidade desta série.

Que a Paz de Deus esteja contigo, oh Aba Aabdillah Al Hussein e com todos os seus seguidores sinceros.

Assalamu Aaleika Ya Aba Aabdillah !

escrito por Adnan El Sayed

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SS – abreviação de “Sallat wa Salam Aaleihe wa Alih”, que significa Que a Paz e Benção estejam sobre ele e sua Purificada Família
AS – abreviação de “Aaleike as-Salam”, que significa Que a Paz esteja sobre ele
Ahlul Bait – significa “A Gente da Casa”, é uma referência aos familiares e descendentes do Profeta Mohammad (SS)

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02 de dezembro, 2010

Ashura (parte 1) – Quando o Sangue dos Justos Vence a Espada da Opressão


Ashura … momento de lamentação pelo martírio do Imam Hussein (AS), momento de reafirmar nossa aliança e compromisso com os princípios da justiça.
Aproximadamente 50 anos após a morte do profeta, um tirano de nome Yazid acumulava riqueza e status entre os muçulmanos e o mundo. Embora muito se sabia sobre seu caráter devasso, ele se denominou líder do Islã, começando assim a interferir junto aos fundamentos da fé e praticar os diversos vícios perversos, enquanto exigia obediência de todos sob suas ordens. Pessoas temiam a morte e a destruição sob as mãos do tirano, dessa maneira renderam seus direitos e autoridade perante a ele.

Imam Al Hussein (AS), neto do profeta e o terceiro sucessor do Islam, recusou-se a prestar obediência às exigências de Yazid, e disse “… seja o que estiver por vir, jamais temerei o Satã no lugar de temer a Deus”. Diante da recusa, Yazid planejou o assassinato do Imam, num local próximo ao sagrado santuário da Kaaba, em Meca. Percebendo a emboscada do tirano, e para evitar derramamento de sangue na cidade sagrada, o Imam foi para a cidade de Kufa, no atual Iraque e antiga Mesopotâmia, onde a ele fora oferecido proteção pela população local. Disse o Imam (AS): “Saio de Meca por minha livre e espontânea vontade, sem descontentamento ou revolta, mas simplesmente para preservar a harmonia da nação islâmica e a pureza da cidade sagrada de Meca”.

Com promessas de fortuna para aqueles que se opusessem ao Imam e com promessas de derramamento de sangue para aqueles que se recusassem a temer suas ameaças, Yazid seduzia o povo de Kufa. Muitos protestaram contra tal enganação e opressão, mas não viveram por muito tempo. Yazid agora tinha Kufa em suas mãos.
Em 680 d.C., Yazid organizou um exército de 50.000 homens para combater o líder do Islã, juntamente a sua família e 72 companheiros que o acompanhavam, os quais haviam estabelecido um acampamento na cidade de Karbala, onde resistiram ao cerco. Fosse qualquer circunstância, o Imam Hussein não estava disposto a prestar obediência à corrupção e à tirania, preferindo resistir até a morte. Disse o Imam do Islã: “Se a religião de Deus não se manterá, a não ser através de minha morte … ó espadas, me levem”.

A tortura da sede e da fome começa no sétimo dia e continua até o décimo, durante o qual Imam Hussein, seu filho, seu irmão e seus companheiros foram assassinados na batalha contra o colossal exército de Yazid. Imam Al Hussein e seus familiares e sinceros companheiros tinham se tornados exemplos de martírio para a toda humanidade. Mas o Sagrado Alcorão eloqüentemente nos ensina: “Não pensem naqueles que foram martirizados no caminho de Deus como mortos. Verdadeiramente, estão vivos, buscando sua sustentação na presença de Seu Senhor”.

Pela revolução corajosa o Imam Hussein, a autoridade de Yazid desvaneceu aos olhos do povo e hoje, milhões de pessoas ao redor do mundo relembram e lamentam o bravo sacrifício ocorrido nas terras de Karbala e muitos têm aprendido como alcançar a vitória sob a opressão. Hoje, o nome do Imam Hussein é mantido elevado como ele próprio e como aqueles que estiveram ao seu lado e sempre serão relembrados por seus sacrifícios. Vida longa à bandeira do Islã, a qual foi salva pelo nobre sangue dos mártires de Karbala.

Esse é Aba-Abdillah Al Hussein!
Defensor maior da mensagem islâmica.
Filho de Imam Ali e neto do profeta Mohammad.
Nosso líder e nosso Imam!
Exemplo maior da luta contra a injustiça e a corrupção.
Al Hussein é a escola universal no caminho da obediência a Deus Altíssimo.
Símbolo máximo de entrega e altruísmo.
É a luz da religião na Terra e o líder dos jovens mártires no Paraíso.
Al Hussein é sinônimo universal de justiça e piedade.
Al Hussein é sinônimo de Islã!

Disse o profeta Mohammad (SS):

“Hussein é de mim e eu sou de Hussein, Deus ama quem ama Al-Hussein e é inimigo de quem incita inimizade a Hussein”.

“Aqueles que querem ver tal pessoa que vive na Terra, mas sua dignidade é honrada por aqueles que estão no Paraíso, devem olhar para meu neto Al-Hussein”.

escrito por Adnan El Sayed

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