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20 de janeiro, 2011

A “Revolução de Jasmin” em erupção na Tunísia


Desde as quatro últimas semanas, a Tunísia vive uma tensão deflagrada nas ruas. Jovens e estudantes iniciaram protestos contra os altos índices de desemprego e falta de liberdade política, na maior onda de manifestações em décadas.
Em meio a pedidos de calma à população, o governo de Ben Ali anunciou o fechamento de universades e escolas. O exército também saiu às ruas para frear as manifestações, gerando confrontos com os manifestantes nos quais dezenas de pessoas acabaram mortas.

Críticos acusam o governo de corrupção e de usar a ameaça de grupos islâmicos e a necessidade de atrair investimentos estrangeiros como pretexto para manter políticas domésticas repressivas e violar os direitos civis básicos da população.

A crise social ganhou um novo episódio quando, na última sexta-feira, o presidente Ben Ali abandonou o país, passando o controle do país para o Exército e o comando interino do governo para o primeiro-ministro, Mohamed Ghannouchi.

A ditadura norte americana vigente nos países árabes

Tunísia vive, ou vivia ate então, sob um regime ditatorial, o qual se manteve com o apoio dos EUA. Os países que vivem sob este tipo de regime baseado no militarismo, na ditadura, na opressão do povo e na corrupção, são geralmente apoiados pelos americanos, a exemplo da Tunísia, do Egito e da Arábia Saudita. Tal suporte aos governos corruptos e antidemocráticos se coloca em contradição aos discursos estadunidenses de apoio a democracia e a liberdade.

Momento histórico

Sob forte turbulência social, Ben Ali se viu obrigado a deixar a Tunísia na última sexta-feira, 14 de janeiro, passando o controle do país para o Exército e o comando interino do governo para o primeiro-ministro, Mohammed Ghannouchi. Com a fuga, encerra-se um longo período de governo, iniciado em 1987 e durante o qual Ben Ali se reelegeu diversas vezes.

Sem a presença do ex-ditator, a Tunísia começa a caminhar na direção de um novo cenário político. Na segunda-feira, 16 de janeiro, o comando interino tunisiano convocou a formação de um governo de união nacional para funcionar durante o período transitório até as próximas eleições, convocadas para dentro de seis meses. Presos políticos também receberam anistia, e todos os partidos políticos serão legalizados.

O Estopim do Levante

Em 17 de dezembro, um vendedor ambulante tunisiano de 26 anos, Mohamed Buazizi, ateou fogo ao próprio corpo para protestar contra o confisco de sua mercadoria pela polícia, desencadeando uma onda de protestos que culminou com a queda do presidente Zine El Abidine Ben Ali. Desde então, gestos semelhantes foram registrados na Tunísia, na Argélia, Egito e Mauritânia.

As palavras de ordem

Os manifestantes gritavam palavras de ordem como “Abaixo o RCD” e “Fora o partido da ditadura” e tentavam se dirigir à sede central da legenda situada perto da Avenida Burguiba, mas não conseguiram avançar mais do que umas centenas de metros, até que as forças de segurança investiram contra eles.
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Influência da Revolução Tunis na região e no mundo

Cada líder árabe está a olhar para a Tunísia com medo. Cada cidadão árabe está a olhar para a Tunísia com esperança e solidariedade.Dessa maneira que os lideres ditadores apoiados pelo Ocidente enxergam a situação e desta maneira que enxergam o povo árabe que estão vivendo sob estes governos corruptos.

O presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad afirmou “Fica muito claro que a nação da Tunísia se levantou contra o ditador apoiado pelo Ocidente com slogans islâmicos, humanos, monoteístas e favoráveis à justiça”, afirmou em um discurso pronunciado ante uma multidão eufórica e transmitido pela tv estatal.

O secretário geral da liga árabe, Amr Mussa disse “A alma árabe é enfraquecida pela pobreza, pelo desemprego e a queda nos índices de desenvolvimento”. “A maioria desses problemas não foi resolvida”, disse ao afirmar que “os cidadãos árabes estão cheios de ira e frustração como nunca antes”.

Essa cúpula de um dia constitui a primeira reunião de chefes de Estado árabes desde a fuga, na última sexta-feira, sob a pressão popular, do presidente tunisiano Zine El Abidine Ben Ali, após 23 anos de reinado. Os dirigentes, no entanto, se limitaram, em uma declaração final que não menciona a Tunísia, a “avançar em matéria de desenvolvimento humano, tecnológico e econômico”.

Inúmeros governos árabes minimizaram nesses últimos dias as previsões de que a crise tunisiana poderia se reproduzir em outros países da região, deixando transparecer à vezes suas preocupações ante a situação. Argélia, Egito, Mauritânia e outros países árabes registraram no período uma série de imolações por fogo, similares ao gesto do jovem vendedor ambulante tunisiano, em meados de dezembro, que marcou o início da revolta que derrubou o presidente Ben Ali.

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