11 de dezembro, 2010

Ashura (parte 2) – A situação política anterior a Al Hussein (AS) e o significado da palavra Imam


O Islã tem seu início há 14 séculos, com a revelação do Anjo Gabriel ao Profeta Mohammad (SS), quando lhe ensinou através das palavras e transmitiu-lhe por ordem de Deus seus deveres na nova condição de Profeta, Mensageiro e Imam. Começa então a revolução moral e social do profeta Mohammad (SS) no cumprimento da missão divina.

Ao final de sua vida, o profeta claramente nos deixa dois legados que nos orienta e nos guia: o registro definitivo da mensagem celestial – o Sagrado Alcorão; e os líderes designados para guiar a nação islâmica – os Imames. Através deste caminho se garantiria a convocação à humanidade e se preservaria a nação na propagação da mensagem.

Muitas pessoas podem não compreender a dimensão do significado da palavra Imam quando designada àqueles indicados por Mohammad (SS) para guiar a humanidade. Podemos, assim, resumir a liderança do imamato em três importantes características:
1 – o Imam é designado por Deus, ou seja, não é uma liderança escolhida pela comunidade ou pelas pessoas;
2 – o Imam possui a responsabilidade ideológica e política da comunidade, e isso quer dizer que deve ter a capacidade de guiar a nação de acordo com os pensamentos religiosos em todos os aspectos, tanto espiritual, de conduta e de critérios religiosos, quanto social, político, de administração pública, etc;
3 – só pode existir um Imam em cada período, ou seja, não existe a possibilidade de dois imames coexistirem enquanto Imam, apenas um guia.

A importância e a responsabilidade de um Imam se diferem da importância e da responsabilidade de um Profeta ou Mensageiro. Estes têm o dever maior de proteger e divulgar a mensagem aos humanos, enquanto o Imam possui a responsabilidade e o dever de liderar e conduzir a nação. Portanto uma tarefa mais árdua e importante.

Para que não cometamos equívocos a este respeito, é importante termos claro que o Profeta Mohammad (SS) fora designado por Deus para ser Mensageiro do Islã e o Imam da Nação Islâmica. Portanto, desempenhava a responsabilidade de mensageiro e protetor da Mensagem Divina, ao mesmo tempo em que desempenhava a responsabilidade de líder na condução e guia da Nação.

Como vimos na matéria “Eid Al Ghadir – O Anúncio da Liderança Completa a Profecia” (link da matéria: http://www.islamfoz.com.br/eid-al-ghadir-o-anuncio-da-lideranca-completa-a-profecia/ ), o profeta indicou Ali para ser o Imam após a sua morte. A postura positiva e ativa para o futuro da Mensagem na indicação da Liderança no Islã é racional dentro das condições de conduta e caráter do profeta.

Ali Ibn Abi Taleb foi o primeiro muçulmano e o primeiro a defender o Islã. O profeta ensinou-lhe pessoalmente muitos conceitos da convocação e sua realidade, instruindo-o sobre os diversos temas doutrinários, filosóficos e culturais do Islã. Durante muitas horas do dia se retiravam para que o profeta o alertasse sobre as idéias e sentidos da Mensagem, sobre os problemas do caminho e sobre a forma de atuar junto à comunidade. Foi o mais próximo do profeta que qualquer outro ser humano, em todos os aspectos.

De fato, o conjunto das narrativas do profeta, os “ahadis”, garante a autenticidade do fato, nos esclarecendo que o profeta realmente preparou e educou Ali ao nível necessário para a autoridade ideológica e política, confiando-lhe o futuro da convocação islâmica e o futuro da liderança da comunidade depois de sua morte.

Depois da morte de Ali, seu filho Hassan se torna Imam. Imam Hassan (AS) teve seu nome escolhido pelo próprio Profeta Mohammad (SS) por inspiração de Deus Altíssimo, sendo o primeiro a ter esse nome na história da humanidade.
Imam Hassan viveu ao lado de seu avô, Mohammad (SS), e à sombra de seus pais, Ali e Fátima (AS), adquirindo deles a mais elevada educação e fazendo com que fosse notório seu conhecimento, fé e caráter.

Disse o Profeta: “Tu, ó Hassan, te assemelhas a mim e a meu temperamento.”.
Com a morte de Ali, Al Hassan passar a ter o direito ao Califado de seu pai. O termo “Califa” significa governante, um termo terreno e humano, não necessariamente com implicações religiosas, mas sim estritamente política, o que difere em muito do termo “Imam”.

Apesar do direito e da aceitação da população ao Califado de Al Hassan, havia um governante da Síria chamado Moawyia, que começa a maquinar formas de lograr e burlar a fé das pessoas, utilizando o terror quando necessário para solidificar seu governo, perseguindo os partidários e simpatizantes de Imam Ali (AS), afim de se consolidar como governante geral, ou Califa.
Ele insultava declaradamente o Mensageiro de Deus, ordenando inclusive que o Imam Ali fosse injuriado durante as oratórias nos púlpitos. Passou ainda a torturar todos aqueles que apoiavam as idéias de Imam Ali, tomando-lhes os bens e boicotando seus negócios, quando não os mandava matar.

Para acalmar a situação e evitar maiores tragédias humanas, o Imam Al Hassan (AS) se viu na obrigação de firmar um acordo com Moawiya, impondo as seguintes condições:
1 – Que Moawiya procedesse segundo o Alcorão e os preceitos do profeta Mohammad (SS);
2 – Que cessassem as ofensas e injúrias contra Imam Ali (AS), principalmente durante as oratórias nos púlpitos;
3 – Que a segurança do povo fosse respeitada (principalmente dos partidários e seguidores de Ali, que eram os mais perseguidos por Moawiya);
4 – Que ninguém fosse nomeado Califa como sucessor de Moawyia, a não ser o Imam Hassan, e caso estivesse morto, seu irmão Al-Hussein.

Moawyia continuou na tentativa de assassinato do Imam Al Hassan, e tentava corromper pessoas próximas ao Imam Hassan, oferecendo-lhes alta quantidade de ouro e promendo-lhes altos cargos dentro de seu governo. Até que uma de suas tentativas fora alcançada e conseguira assassinar o Imam por envenenamento.
Al Hussein, seu irmão, se tornava agora o Imam da nação. Imam Al Hussein (AS) almeja cumprir o acordo feito por seu irmão e se apóia sempre na virtude da paciência, característica fortemente marcante dos Ahlul Bait.

Quando Moawyia morre, se deflagra o esperado, teria nomeado seu filho Yazid para o Califado, não respeitando o acordo que dava direito ao Imam Al Hussein. Yazid, como podemos observar na matéria “Ashura (parte 1) – Quando o Sangue dos Justos Vence a Espada da Opressão” (link da matéria: http://www.islamfoz.com.br/ashura-i-quando-o-sangue-dos-justos-vence-espada-da-opressao/ ), tinha as características contrárias a do Imam. Era devasso, de práticas mundanas, saqueava a riqueza do povo, e utilizava-se da violência e da opressão para alcançar seus objetivos pessoais. Porém o principal motivo e causa do levante de Al Hussein era que Yazid se colocava como representantes dos muçulmanos e do Islã, interferindo na conduta religiosa prescrita por Deus e ensinada por Mohammad (SS) e tratando as pessoas de maneira injusta.

Essa era a conjuntura política e a situação existente no período anterior a jornada do Imam Hussein. Os acontecimentos que se seguem a partir daí se traduz na Ashura, uma história sem equivalentes em qualquer lugar ou qualquer época.

E é por essa história que continuamos aqui em busca da realização do ideal de liberdade e de justiça ensinada pelo Imam.

A história da Ashura será contada nas próximas matérias publicadas neste mesmo site, como continuidade desta série.

Que a Paz de Deus esteja contigo, oh Aba Aabdillah Al Hussein e com todos os seus seguidores sinceros.

Assalamu Aaleika Ya Aba Aabdillah !

escrito por Adnan El Sayed

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SS – abreviação de “Sallat wa Salam Aaleihe wa Alih”, que significa Que a Paz e Benção estejam sobre ele e sua Purificada Família
AS – abreviação de “Aaleike as-Salam”, que significa Que a Paz esteja sobre ele
Ahlul Bait – significa “A Gente da Casa”, é uma referência aos familiares e descendentes do Profeta Mohammad (SS)

GAMAL OUMAIRI

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EM NOME DO ALTÍSSIMO EXCELENTE MATERIA EXPLICATIVA SOBRE OS EVENTOS DE ACHURRA ESCRITA PELO ILUSTRE IRMÃO ADNAN EL SEYED. TODO DIA É ACHURRA E TODA TERRA E KARBALA! APRENDEMOS A LUTAR CONTRA A INJUSTI

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