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06 de maio, 2016

Câmara sugere integração entre Plano de Manejo do PNI com ICMbio e trade turístico


Debate proposto pela Vereadora Anice (PTN) deliberou por enviar ata da discussão ao Comtur e à direção do PNI
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Parque Nacional abriga as Cataratas do Iguaçu

A audiência pública que discutiu a revisão do plano de manejo, proposta pela Vereadora Anice (PTN) integrou o rol dos debates regionais que estão sendo realizados no momento em que o ICBMbio, trade turístico e Governos discutem o diagnóstico, que é a primeira parte do debate sobre a revisão do plano de manejo do Parque Nacional do Iguaçu. Ficou definido que a ata da audiência será entregue oficialmente ao COMTUR e à Direção do Parque Nacional do Iguaçu, de forma que o que foi pontuado na audiência contribua na elaboração do novo documento que trata das normativas do PNI.

“Quero fazer um apelo para o diálogo não se encerre, na última reunião que tivemos no Ministério no Meio Ambiente, percebemos que o que havia sido ‘vendido’ para Brasília era a questão da circulação dos táxis no interior do Parque, como se houvesse um conflito de interesses. Vamos cobrar que haja um tratamento e o plano todo seja tratado com responsabilidade, temos que preservar o trabalhador. Temos, sim, que transformar nosso turismo em verdadeiro polo. Não há conflito de interesse, é possível trabalhar todo mundo junto. Estamos à disposição para somar”, defendeu a proponente, Vereadora Anice (PTN).

Fernando Martín, representante do COMTUR e do Trade Turístico em geral, fez um panorama de toda a situação que concerne ao Plano de Manejo. “Esta é a primeira audiência pública que vamos tratar desse tema. Sobre a renovação do plano de manejo só se fala de transporte e não de outras situações. Em 1999 comecei a acompanhar as mudanças dentro do Parque Nacional. O plano de manejo apresenta muitas propostas e ações equivocadas, coisas que já ficaram obsoletas. O Parque Nacional precisa conciliar várias formas de transporte; precisamos discutir temas fundiários. Nossa cidade respira e depende do turismo, a comunidade deve participar sempre e em qualquer discussão. Precisamos tratar da acessibilidade para trilha das cataratas. Devemos pensar em um trem elétrico, algo que permita acessibilidade e a fauna também possa passar por baixo. Que os produtos não sejam concentrados em uma única empresa, o que é chamado o monopólio. Pensamos também na possibilidade de poder reativar a Usina São João, acho que o PNI poderia ser uma matriz enérgica e ser um modelo nesse aspecto. O que estamos discutindo compreende uma área definida já como uso intensivo. O plano de manejo proíbe cerimônias mítico-religiosas, mas as Cataratas são fonte de energia para muita gente que vem aqui fazer meditação e coisas do gênero, tendo regras, precisamos abrir a mente, dialogar e colaborar”.

Felipe González (ABAV) defendeu uma gestão integrada em todos os setores para benefício do turismo local e dos trabalhadores que vivem do carro-chefe da economia Iguaçuense. “É impossível viver sem essa gestão compartilhada dentro da área de uso turístico dentro do nosso Parque Nacional. Fazendo inclusive com que o turista valorize a fauna e flora e a própria existência do Parque Nacional”.

Ivan Baptiston, Diretor do Parque Nacional do Iguaçu, elencou vários fatores necessários à revisão do Plano. “A revisão do plano de manejo tem dois instrumentos: diagnóstico (avaliação do plano de manejo vigente, grande revisão bibliográfica, diagnóstico de uso público) e planejamento. A parte de planejamento, se for necessário revermos algum aspecto do zoneamento precisamos rever. Já estamos na fase de reuniões comunitárias e setoriais, da fase de diagnóstico. Em abril tivemos reuniões e está marcado para 18 de maio a reunião com Foz do Iguaçu e Santa Terezinha”, destacou.

Segundo o Diretor do Parque, “as reuniões setoriais, a primeira que fizemos foi com a Argentina, porque temos uma estratégica de desenvolvimento com o país e temos co-responsabilidade. Nosso PNI tem 14 municípios no entorno, ele vai até Cascavel. Tem dois grandes valores no Parque Nacional que interessam ao desenvolvimento do turismo: PNI abriga uma das feições geológicas mais bonitas do planeta, o grande atributo do Parque Nacional é o grande negócio para todo o trade. Temos o privilégio de salvaguardar as espécies. Temos o grande desafio de garantir proteção da sustentabilidade. A crescente de visitação vem dos últimos anos. A Sustentabilidade é compromisso, é desafio. Há um limite legal, não podemos ultrapassar o que é previsto em lei, se há legislação a gente cumpre. Fazer revisão do plano exige muita calma, segurança e profissionalismo ao debatermos”, concluiu Ivan Baptiston.

Altino Voltoloni, do IC&VB, destacou “Hoje represento o Convention, o qual representa 70 empresas. É preciso preservar e tenho plena consciência disso, mas é preciso que se tenha ou que se busque uma forma de melhorar a estrutura interna de visitação. Então, é necessário que na medida do possível, sem radicalismo de ambas as partes nós possamos decidir de forma a manter economia local, no sentido de emprego para as pessoas”.

Pedro Tonelli, Chefe de gabinete na Itaipu Binacional, afirmou: “O Plano de Manejo é o plano de diretor do Parque Nacional do Iguaçu, ele tem força de lei. O Parque é uma unidade que tem grande interesse de toda região, mas também da humanidade. Acho muito importante que a gente olhe o interesse de todo o Parque, não é só o atrativo turístico”.

Vitalino Capeleto, da Cootrafoz, “Quando iniciamos em 2013, a Vereadora nos acompanhou, e tivemos audiência com a Ministra do Turismo, foi relatado lá em Brasília também o impacto social. Quando se fala em transporte, eu até concordo em mudar, temos o exemplo dos irmãos Argentinos no Parque Nacional. Por enquanto quero deixar claro que nossa luta começou em 2012 e quero deixar claro que dependemos sim do transporte no Parque Nacional”.

.: Tribuna livre:.

Jorge Dornelles, do Sindicato dos Guias, salientou. “Participamos ativamente das atividades do Parque Nacional e fizemos um plano para retirar do Parque Nacional os carros que ficavam lá dentro na frente do Porto Canoas, desafogando assim aquela área. Precisamos informar nosso povo brasileiro sobre a importância do nosso Parque e precisamos dos guias dentro dos ônibus para explicar o Parque aos turistas. Eu completo 42 anos de turismo. Quando o turista estrangeiro vem para o Brasil ele traz com ele uma carga de conhecimento ele exige muito de nós. Se um dia nos proibirem a entrar no Parque com nossos veículos, para o turismo privativo vai ser uma tragédia. Nós precisamos da força verde ao nosso lado, para nos auxiliar no interior do Parque”.
Demétrio Priester, guia de turismo, criticou. “Os Parques precisam prover o bem-estar da população local. Como pode uma concessionária que se preocupa tanto nem sequer se preocupa em ter um funcionário que sabe os três idiomas: Espanhol, Inglês e Francês. Desde que trabalho no Parque, de 1977 para cá nunca foi atropelado um animal no Parque. Essa trilha das Cataratas foi feita em 1940, hoje em dia deveria ser feita uma passarela. Na hora que chegam 25 mil pessoas em Foz do Iguaçu não temos estrutura nenhuma. Vejo gente chegando aqui de madrugada. Foz é uma cidade sitiada por pontos turísticos e que se julga turística, isso é uma vergonha. A infraestrutura das Cataratas hoje comporta apenas 600 pessoas por hora. Já que entra tanto dinheiro na unidade que se faça ponte para que os animais passarem por baixo. Pra nós é muito interessante que o Parque esteja sempre bem conservado”.
Histórico
O PNI teve seu primeiro plano de manejo elaborado em 1981, tendo sido revisado em 1999. A Portaria que determinou a revisão do Plano de Manejo foi baixada pelo Instituto Chico Mendes no final de 2013.
A vereadora Anice memorou a mobilização que houve em 2013. “A então ministra chefe da casa civil nos recebeu em comitiva com representantes do trade que estiveram conosco. Concordo que Foz esteve prestes a ter uma tragédia econômica quando se cogitou o fechamento do Parque para a entrada das pessoas do trade, houve uma mobilização muito grande, o debate foi intensificado, vemos que houve uma luta geral de muitas pessoas que vestiram a camisa”.

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