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01 de novembro, 2016

Muçulmanas entregam lenços e cartinhas para pacientes com câncer


“Não é só um lenço que tem aqui, mas muito amor, carinho e esperança para quem recebe”, definiu Supervisora da Oncologia do Costa Cavalcanti

Voluntárias entregaram hoje lenços para pacientes com câncer. O encontro foi cheio de esperança e palavras de apoio para quem luta contra a doença. “Esse lugar nos enche de um novo sentimento. A vida ganha outro sentido”, disse Nada, presidente da Associação Senhora Fátima, acompanhada de voluntárias da Sociedade Beneficente Islâmica de Foz (SBI).
O grupo conversou com mulheres atendidas no Centro de Oncologia do Hospital Ministro Costa Cavalcanti. Cada lenço entregue uma história a ser ouvida. “Ontem eu soube que estou com câncer”, disse Ilda, 77. Ela veio de Santa Terezinha para conhecer o local onde fará as sessões.
“Como eu não sei muito sobre o que vai acontecer hoje eu vim com a minha amiga Nelsi”, disse apontando para outra senhora que já havia passado pelas primeiras sessões de quimioterapia. As duas pediram para que fosse ensinado como usar o lenço.
Junto com a arrumação, as voluntárias explicaram que o tecido é parte do vestuário muçulmano. “Nós usamos sempre. Para nós é motivo de orgulho e fé. Queremos que ele seja um momento especial na vida de vocês”, repetia Fátima na tentativa de encorajar quem já não tinha cabelo.
Também foi lida a cartinha que acompanhava o lenço. O texto foi escrito pelo guia religioso Mohamad Khalil com palavras sobre o modo de buscar refúgio também na fé. A leitura trouxe silêncio mas também abraços de fraternidade para quem precisava voltar para casa. Assim, Ilda e Nelsi embarcaram no mesmo ônibus que as trouxe para Foz.
Sobre a pregunta que sempre é feita nestes momentos Ilda respondeu: “Eu fique muito triste quando soube que estou doente”. Ela respira e parece buscar força interior para continuar: “Sei que vou lutar muito para vencer mais esse desafio”. Ao encaminhar-se para o transporte ela para e observa outra senhora. Desta vez a paciente chega em cadeira de rodas. As duas se cumprimentam.
“Eu sou Regina e há dois anos estou nesta luta”, diz a senhora. Para as voluntárias o novo cenário é mais um exemplo que torna o encontro ainda mais significativo e juntas elas conversam sobre a palavra mais difícil de ser pronunciada: o câncer.
“Minha mãe teve câncer. Ela teve de retirar a mama e hoje está bem”, conta a voluntária Roda. Recebe como resposta da Supervisora Administrativa do Centro de Oncologia do Hospital Costa Cavalcanti: “Sua mãe é uma vencedora”. O incentivo parece ganhar força para a próxima fala.
Esta acontece em uma sala onde a jovem Regina esta sendo atendida. “Eu luto contra o câncer de intestino desde 2012”, diz Leandra. “Você é uma guerreira”, repetem as voluntárias. Dos 45 lenços levados neste primeiro encontro, apenas alguns foram para o espaço onde serão entregues para novas pacientes, os demais entregues pelas voluntárias. No memento mais de 800 pessoas estão sendo atendidas, do total 340 são mulheres. www.islamfoz.com.br (Reportagem: Sônia Inês Vendrame. Fotos Yassine Ahmad Hijazi)

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