Notícias

08 de março, 2011

O Dia Internacional da Mulher e as protagonistas das Revoluções Árabes


Em 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque fizeram uma grande greve em que ocuparam as instalações para reivindicar melhores condições de trabalho. Exigiam a redução da jornada para dez horas (eram 16 horas de trabalho diário), a equiparação de salários com os homens (já que recebiam até um terço do salário de um homem pelo mesmo tipo de função) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A greve foi violentamente reprimida. Trancaram as mulheres dentro da fábrica, atearam fogo em suas dependências e o trágico saldo foi a morte de 130 tecelãs carbonizadas. Décadas passaram e, em 1910, a data daquele ato bárbaro passou a ser considerada o “Dia Internacional da Mulher” em homenagem às mártires.

Hoje, depois de 152 anos, as mulheres são as grandes protagonistas das mobilizações populares contra os regimes autocráticos dos países árabes. “As mulheres foram e continuam sendo protagonistas das revoluções da região e estão física e maciçamente presentes nas ruas, o que é fundamental”, avalia Nadim Hury, pesquisador da organização de defesa dos Direitos Humanos, Human Rights Watch (HRW).

Usando camisetas, calças jeans ou os tradicionais trajes negros, milhares de mulheres participaram nas manifestações na Tunísia, Egito, Iêmen e Bahrein contra os regimes desses países. “É um sinal de esperança”, acrescentou, enfatizando que as mulheres também “deverão ser protagonistas nas novas instituições que nascerem dessas revoluções”.

No Bahrein, onde milhares de manifestantes reclamam a queda da dinastia dos Al Khalifa, as mulheres se manifestaram com suas tradicionais abayas, formando uma massa negra em meio à multidão, já que homens e mulheres caminham separadamente.

Em países como a Líbia ou Iêmen se expuseram e foram destaques em meio as câmeras: “As mulheres tiveram um importante papel no início da revolução”, afirmou Tawakul Karman, uma militante iemenita contrária ao presidente Ali Abddullah Saleh.

“A revolução procura derrubar o regime, mas também permitiu superar tradições arcaicas, como o fato de que as mulheres tenham que permanecer em suas casas sem participar na política”, acrescentou. “A revolução também é social. O papel que têm as mulheres permite criar uma nova sociedade”.

Na Arábia Saudita, onde, por ora, não houve uma manifestação em massa, começam a aparecer na internet expressões femininas contra o regime. “Peço às sauditas que atuem agora mesmo. Nossos irmãos sauditas nos traíram porque são uns covardes”, afirma a SaudiWomenRevolution.

Apesar de não se saber como ficarão configurados os futuros sistemas políticos na região, os levantes revelam um descontentamento político, mas também social, enfatizam os analistas.

Estudantes protestam durante uma manifestação em frente ao edifício da principal da universidade no Cairo para exigir a renúncia do reitor

Não há comentários aprovados neste post!

Curta e Compartilhe


Horário das orações:


Foz do Iguaçu

Busca

Arquivos

Tag