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16 de junho, 2016

Polícia Federal faz operação contra contrabando em quatro estados


Operação foi deflagrada nesta quinta-feira (16) no PR, SP, MG e ES. Do total de mandados, 43 são de prisão. Grupo movimentava R$ 3 bi por ano.
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Avião foi apreendido no aeroporto 14 Bis, em Londrina, durante operação da Polícia Federal (Foto: Alberto D´Angele/RPC)

Adriana Justi – Do G1 PR

A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação na manhã desta quinta-feira (16) para combater o crime de contrabando de mercadorias. A ação ocorre em cidades do Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo e cumpre 138 mandados judiciais. A quadrilha movimentava por ano cerca de R$ 3 bilhões em mercadorias contrabandeadas e utilizava várias aeronaves, segundo a PF.
A ação conta com 360 policiais federais e foi batizada de Celeno. Do total de mandados, 28 são de prisão preventiva, 15 de prisão temporária, 18 de condução coercitiva, que é quando a pessoa é levada para prestar depoimento, e 77 de busca e apreensão. A prisão temporária tem prazo de cinco dias e pode ser prorrogada pelo mesmo período. Já a prisão preventiva é por tempo indeterminado.Também foram decretados bloqueio de contas bancárias e sequestro de imóveis.
No Paraná, os mandados estão sendo cumpridos em Maringá, Paranavaí, Loanda, Amaporã, Foz do Iguaçu e Londrina. No estado, cinco pessoas foram presas, um piloto em Maringá, três agenciadores em Foz do Iguaçue uma funcionária de uma bomba de combustível do aeroporto de Paranavaí. Na fronteira também foram cumpridos três mandados de busca e apreensão.
Em Londrina, foram apreendidos documentos e um avião monomotor no aeroporto 14 Bis, no distrito da Warta, em Londrina. De acordo com a Polícia Federal, a aeronave estava estacionada no hangar do aeroporto, onde passava por manutenção e recebia combustível. Além disso, também foram apreendidas três aeronaves em Ituverava, duas em Orlândia, e uma em Barretos, no interior de São Paulo.

Investigações
As investigações começaram em 2013 e identificaram quatro grupos criminosos. Ainda conforme a PF, eles conduziam aeronaves de Salto Del Guairá, no Paraguai, até pistas clandestinas no interior de São Paulo. As mercadorias eram então retiradas dos aviões e escoadas para entrepostos de armazenamento, de onde eram transportadas por caminhões e veículos até os destinatários finais.
As investigações apontaram que pelo menos 12 aeronaves eram utilizadas pelos criminosos, realizando até dois voos diários, e que cada uma levava cerca de 600 quilos de mercadorias, num valor estimado de 500 mil dólares por frete ilícito.
Quatro aeronaves foram apreendidas ao longo das investigações. Os aviões foram apreendidos em Amaporã e Paranavaí, no Paraná, Borebi, em São Paulo e Eldorado, no Mato Grosso do Sul. Uma delas é um monomotor, alvejado pela Força Aérea Brasileira (FAB), em outubro de 2015, quando tentava retornar ao Paraguai carregado de mercadorias. Esse monomotor foi encontrado em Paranavaí.

Porto seguro em Paranavaí
De acordo com a Polícia Federal, os grupos criminosos utilizavam o aeroporto Edu Chaves de Paranavaí como entreposto operacional. O terminal era utilizado para o abastecimento e manutenção dos aviões utilizados para o contrabando de mercadorias.
“O aeroporto em Paranavaí era o porto seguro do grupo. Para se ter uma noção, era tão porto seguro que a quadrilha optou por deixar a aeronave alvejada em Paranavaí ao invés de deixá-la no Paraguai. O aeroporto está em uma posição estratégica, não tem fiscalização e os criminosos eram próximos a algumas pessoas que trabalhavam no terminal. Tudo isso favoreceu”, explica o delegado da Polícia Federal Alexander Noronha Dias.
Os grupos, responsáveis pelos fretes aéreos, eram contratados por agenciadores que tinham sede em Foz do Iguaçu e no Paraguai. Além disso, um dos grupos comercializava as mercadorias em empresas próprias em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo e na capital paulista.
“Conseguimos identificar e prender todas pessoas que fazem parte do grupo criminoso. Desde as pessoas que financiavam até quem ajudava na logística da organização”, pontua o delegado.
O nome Celeno “remete à mitologia grega na qual Celeno é uma harpia, um monstro mitológico. O nome ainda tem o significado “obscuro” ou “escuridão”, explica a PF.

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