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19 de setembro, 2016

Temer discursa na ONU e superestima números de refugiados no Brasil


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O presidente brasileiro faz sua primeira participação na ONU, em um encontro sobre refugiados e migrantes – Timothy A. Clary / AFP

por Henrique Gomes Batista, enviado especial

NOVA YORK — Em viagem oficial aos Estados Unidos, o presidente Michel Temer participou de um encontro de alto nível sobre refugiados e migrantes, realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em sua fala, Temer salientou a importância do tema e afirmou que o Brasil já recebeu mais de 95 mil refugiados de 79 países nos últimos anos. Ele disse que o Congresso está em vias de aprovar uma nova lei para refugiados que facilita a imigração, e que objetivo do país é “garantir direitos, e não criminalizar” as migrações. Esta foi a primeira participação de Temer na ONU após sua posse, em 31 de agosto.
— Estamos modernizando nossas práticas migratórias. No centro de nossas políticas, está o reconhecimento inescapável da dignidade de todos os migrantes — disse o presidente, lembrando ainda que a Olimpíada e a Paralimpíada do Rio receberam, pela primeira vez, um grupo de atletas refugiados.
O discurso desta manhã ocorreu antes da abertura formal da Assembleia Geral da ONU, prevista para a manhã de terça-feira, e que será aberta por Temer. Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro a discursar nos debates gerais das Nações Unidas. No encontro desta segunda, o presidente lembrou que o país recebeu cerca de 85 mil haitianos após o terremoto de 2010 e 2.300 sírios. Temer disse que o país tem o objetivo de integrar os refugiados à vida brasileira, inclusive com o objetivo de permitir o acesso a empregos, serviços de educação e saúde.
Temer usa, pela primeira vez, o número de 95 mil refugiados, incluindo os haitianos. O Ministério da Justiça, até então excluía este grupo, considerando apenas cerca de 9 mil refugiados dentro do Conare, programa oficial para refugiados. Esta é uma mudança de postura em relação ao grupo.
— Não podemos fechar os olhos para as causas profundas desses fenômenos. Somente a solução negociada de crises políticas e um desenvolvimento que seja para todos prevenirão o deslocamento forçado de grandes contingentes de pessoas — disse.
Ele lembrou também da atuação do embaixador Souza Dantas, que, em Paris na Segunda Guerra Mundial, concedeu centenas de vistos para perseguidos pelo nazismo. Na terça-feira, também em Nova York, Temer participará da cúpula de líderes sobre refugiados, promovida pelo governo americano. O Brasil tem sido pressionado a receber mais sírios — os EUA pedirão o asilo de mais 3 mil no país —, mas o governo ainda está definindo quais serão as propostas apresentadas. Fontes do governo lembram que o país já tem um grande desafio com os haitianos, o que pode dificultar, ainda mais em momentos de crise fiscal, o compromisso para a chegada de mais sírios.

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